sábado, 20 de novembro de 2010

Fala, calar, o que é melhor para mostrar seus sentimentos e pensamentos? Como se posicionar diante da necessidade de se fazer entender?

Muita gente perde grandes oportunidades de ficar calado e acaba ouvindo o que não deseja ao falar pelos cotovelos. Gente que fala demais, que julga, que magoa, que não usa medida alguma para ferir, quando deveria mesmo, apenas calar.

Ficar calado em diversas situações pode ser uma grande qualidade. Saber observar o movimento das pessoas, seu gestual. observar pequenos detalhes que podem fazer diferença em diversas situações.

Quando, alguma vez, você perdeu uma oportunidade interessante por ter dito uma palavra a mais, numa frase qualquer? Principalmente, quando está discutindo com uma pessoa, seja na impessoalidade da vida profissional, ou na passionalidade de uma briga de amor.

E é no amor que conseguimos ser mais cruéis, mesmo sem vontade.

Já ouvi dizer que costumamos ser mais duros com as pessoas que amamos. Quanto mais amamos alguém, quanto mais nos importamos, mais duros e incisivos podemos ser com as palavras. Palavras que cortam e criam cicatrizes de alma, muitas vezes inesquecíveis.

Mas, nem sempre ficar calado é uma qualidade. Nem sempre ficar calado nos faz ganhar algo.

Pegando o gancho da questão amorosa, existe um certo silêncio que pode esmagar mais que mil palavras duras e secas. O silêncio da indiferença, por exemplo. Um silêncio que inquieta e atormenta. O silêncio pode ser o maior de todos os defeitos, pois, assim como a palavra mal colocada pode distanciar, o silêncio indiferente pode significar mais do que distância, pode ser mais que praga no pomar. Pode ser devastador e transformar em pedra bruta o que já foi reluzente e brilhoso.

Uma pessoa em silêncio nos intriga. No que estará pensando? Será que aquele silêncio é por minha causa? Por que ela age assim.

Muita gente, usa do silêncio a falsa mensagem do início do texto. Muita gente se abstém em opinar, em se posicionar. E este silêncio pode significar, desde a angustiante indiferença do ignorante (aquele que ignora), como também, o silêncio do covarde. Afinal, ao não se posicionar, não tende para nenhum lado.

O silêncio pode ser a pior das posturas de um ser humano. Usamos a palavra silêncio, muitas vezes, como adjetivos muito negativos. Ficou em silêncio, fugindo como um rato, daquela resposta. Terrível o silêncio da fuga. Daquela pessoa que não que entrar em confronto. Enfim, após ler tão confusas idéias, não sei se é melhor calar ou falar. Se falo em excesso, estrago tudo. Se me calo, tudo estrago.

Talvez o bom senso me ajude e me coloque em cima do muro, me fazendo falar na medida certa.

Entra em cena, o comedido. Aquele que não se compromete, que fala o essencial e é figura sumida de debates sobre quaisquer temas. Mas, aí... muita gente vai dizer que ser comedido pode também mostrar covardia. Não se posicionar ou concordar com os dois lados da questão pode ser pior do que se calar ou falar demais!

Depende da situação, não é mesmo? Difícil definir as coisas quando se trata de comunicação.

Num relacionamento amoroso, é primordial ser esses três personagens, em doses saudáveis, todo tempo. Numa hora, você precisa soltar tudo, desabafar. Falar o que sente é primordial para manter o fogo aquecendo a casa. Ser sincero com palavras, na hora de uma conversa séria é um ato de respeito, amizade, consideração. Quando você fala (principalmente se for espontâneo), você mostra que se importa. Mesmo que seja para reclamar de algo que está fora do lugar, ou te incomodando.

Mas, há momentos em que calar é primordial para que não se fira o outro. Como falei acima, sempre ofendemos mais fortemente aqueles que mais amamos. Simplesmente pelo motivo de se ter confiança que a relação não quebrará (acham...). Calar para não ofender é um ótimo negócio.

E, ser um bom negociador, propondo o meio-termo é também uma forma de partilhar o tal ganha x ganha, que vemos na faculdade. Onde todos ganham, todos ficam felizes, mesmo que ganhem pouco.

Como esta situação varia de caso a caso, e que não há nenhuma regra definida para se expressar, é fundamental manter as antenas ligadas e saber a melhor hora de usar cada dose de comunicação.

O desabafo, em todas as esferas de relacionamento, é uma forma maravilhosa de revigorar a alma, acalmar o olhar, tranquilizar os batimentos cardíacos, regular a pressão sanguínea. Mas, é preciso sabe a quem se está abrindo o coração... Há casos em que ficar em silêncio é ótimo desabafo, há momentos para todos os gostos.

Isso, sem falar nos gestos, atos, que falam como palavras. Muitos gestos são mais contundentes que palavras, muitos cortam mais que "facas ginsu". Nada melhor que atitudes para definir os bem sucedidos... Aparecer de surpresa, com flores, chocolates, sei lá... Essas coisas podem ser um bons mediadores para uma futura conversa difícil. Sabe-se lá. Só que não vou falar de atitudes agora.

Mas, nisso tudo, nesse blá, blá, blá todo sobre falar e calar, não há nada pior do que se conter! Precisamos sempre buscar saber o melhor momento para nos posicionar, sempre com respeito. Tudo naturalmente. Afinal, a natureza funciona dentro da gente quando não forçamos nada.

Se conter é tentar, inutilmente, dominar um boi "brabo" na arena de rodeio. Muita gente se morde ao se conter. Mas, saibamos que esta contenção traz um prejuízo interno, algumas vezes, irreparável. Se conter pode significar se violentar. Deixar de dizer por contenção gera um sentimento terrível de arrependimento.

Muita gente sente vontade de gritar quando está com algo entalado na garganta. O grito contido é um mal que se alastra no corpo como uma virose. Engolir o choro e guardar para si as coisas que queria desabar em alguém, talvez seja uma das coisas mais frustrantes pelas quais passamos em nosso pesado cotidiano.

Penso que o arrependimento do que não se fez é muito pior do que derramar o caldo. Se conter por um fator externo é terrível, nos faz sentir impotentes.

Quantos amores você perdeu por não gritar: "Fica! Eu te amo!"? Quantas vezes o orgulho te impediu de pedir desculpas, mesmo quando até você estava certo? Quantas oportunidades de trabalho, quantos amigos perdeu? A cada reflexão, faça a conta. Acumule os "sins" que deu às perguntas e faça as contas, de quanto este orgulho tirou de você... Este é o orgulho mau!

O orgulho mal administrado nos corrompe perante nós mesmos! Ele nos leva para o buraco.

Lido com pessoas frustradas todo tempo. Comdominio, , colegas, nas ruas, etc. Você olha nos olhos das pessoas e vê como são contidas. E, certamente, pessoas que guardam coisas por medo ou orgulho são as mais angustiadas de todas.

Independente de como você se posicione, perante qualquer situação na vida, procure evitar as que vão de encontro a seus princípios. Não se deixe levar por conveniência. Não grite por dentro, pois isso te implode e faz sangrar por dentro. Fale, grite, chore, mas sem usar de apelo. Use a verdade de sua alma para se posicionar.

Se tiver de perder, que perca às lágrimas, gritando. Esqueça o ranking dos orgulhosos, pois eles estão presos a sim mesmos, com seus gritos contidos e suas máscaras de papelão. E, por dentro, são crianças apavoradas.

Às vezes, as pessoas que mais precisam de ajuda, são as menos capazes para pedir. E esta incapacidade se dá pelo imenso orgulho que sentem no peito, criando um muro de concreto na alma e uma crosta de pedra no coração.

Amores, amigos, todos eles te darão muito mais valor se você mostrar este respeito por você, demarcando muito claramente suas fronteiras, e não permitindo invasões indesejadas. Estas permissões só te fazem mal e sempre serão agentes de resistência dentro de você.

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